terça-feira, 28 de julho de 2015

Descartes, pensador pós-moderno

Desde que os primeiros livros e artigos em louvor da interdisciplinaridade e do pensamento pós-moderno apareceram sobre a face da Terra, Descartes foi eleito como o primeiro bode a ser imolado para expiar os pecados de uma tradição de pensamento que nos arrastou para um modo de vida destruidor da natureza e deformador da realidade, com sua obsessão de forçar toda realidade e toda experiência humana a deitar no frio leito de procusto da matemática.
Dentre as tantas injustiças e esquecimentos que cometemos com o passado, essa ilustra muito bem como a compreensão superficial do legado de um grande filósofo e cientista pode ser travestir numa arrogante pretensa sabedoria. Muitos defeitos podem ser atribuídos ao trabalho de Descartes, mas ingenuidade a respeito da riqueza e diversidade do real não é um deles.
Na verdade, para surpresa de alguns defensores mal informados da "complexidade", Descartes pode inclusive ser lembrado como um dos primeiros grandes defensores da interdisciplinaridade no conhecimento científico. Há, nas Regras para a Direção do Espírito, um argumento em defesa da interdisciplinaridade.